Seca na Região Sul – Orientação Emergencial aos Produtores de Leite

Wagner Beskow
Transpondo Pesquisa, Treinamento e Consultoria Agropecuária
(Replicado das redes sociais do autor, com autorização)

O Sul têm acumulado fortes e frequentes estiagens que estão levando à falta de pasto, de volumoso conservado e perda da atual safra de milho silagem.
Com base no que estamos vendo a campo e nos questionamentos que recebemos diariamente, elaboramos um resumo para orientar produtores e técnicos neste momento difícil. Nem todos estão em situação crítica, mas a incidência vem aumentando.

PERGUNTAS E RESPOSTAS:

1. Não tenho mais pasto nem silagem. O que posso fornecer aos animais?
O alimento sólido principal do ruminante é fibra vegetal (celulose). Qualquer fibra que não seja tóxica. Os microrganismos do rúmen conseguem transformar até papel em energia para sobrevivência, desde que forneçamos, também, nitrogênio e enxofre (explicado mais abaixo).
Alternativas a serem consideradas:
– Negociar acesso a áreas de vizinhos com pastos, banhados, restevas de trigo ou outras culturas de inverno. Mesmo capim annoni será útil neste momento. Barba de bode, capim-caninha, não importa.
– Permitir acesso dos animais aos corredores e estradas locais (usar arame eletrificado para impedir acidentes e atropelamentos!). Se necessário, consulte a autoridade responsável.
– CUIDADO!!! As plantas de milho colhidas sem granar, podem ser usadas em qualquer estágio que estiverem, mas FAÇA ADAPTAÇÃO DOS ANIMAIS, fornecendo pouco e aumentando a cada dia, pois estarão com altos teores de nitratos.
– Palha de trigo ou de qualquer cereal de inverno, seja enfardada ou ainda na lavoura.
– Galhos de árvores, desde que abundantes em folhas e de espécies seguras. Todos os salsos e o vime são seguros, assim como todos os álamos (não confundir com plátano, este não é recomendado). Aroeiras NÃO. Na dúvida, evitar arbustos e árvores de espécies leitosas ou que produzam resinas, aromas fortes, ou espinhos.

2. Como e quando devo fornecer esse nitrogênio e enxofre?
Com volumosos (fibra) de baixa qualidade. Cuidado com o milho planta verde! Este vai estar rico em nitrato. Não adicione nitrogênio extra, neste caso.
Palhas, pastos passados, encanados, canas etc. devem receber nitrogênio e enxofre.
Baixe o pdf a seguir onde explicamos a mistura e quantidades:
https://www.transpondo.com.br/downloads/boletim_tecnico_transpondo_uso_de_ureia_enriquecimento_de_volumosos.pdf?fbclid=IwAR30-9gAkmt10VTISUY0LsBTFWGclXu_kHzmvPT8TevUyTENJkNaNTc-MrQ

3. Qual seria o preço justo para a tonelada de um milho que não granou?
Se fosse um caso isolado, a metade do valor de uma silagem boa já seria caro. No entanto, neste momento, vai depender de quão apertado você está e da procura na sua região.

4. Como posso estimar o rendimento de uma área de milho planta, sem granar?
Obtenha o número médio de plantas por metro linear e a distância entre-linhas, em metro. Conte as plantas em 10 metros, dentro da lavoura. Arranque umas 3-5 plantas que representem a maioria da lavoura e pese estas plantas. Divida pelo número de plantas para dar kg/planta. O peso normal de um planta granada, bem adubada é 0,9 a 1 kg.
O rendimento esperado vai ser = No. de plantas por m dividido pelo espaçamento em m x 10.000 x peso médio da planta
Exemplo: 4 plantas/m; 0,50 m de espaçamento; 0,3 kg/planta
Então: 4 / 0,50 = 8 x 10.000 = 80.000 plantas/ha x 0,3 = 24.000 kg de matéria natural/ha

5. Qual a quantidade máxima de grão, concentrado ou “ração” que posso dar para as vacas?
Está difícil a situação: concentrado caríssimo e volumoso faltando!
Como regra geral, considere que o limite seguro é 50% do total de matéria seca ingerida, podendo chegar até 60%. Próximo a 60% já ocorrerão problemas de laminite, acidose e possíveis casos de torção de abomaso.

6. Posso usar palha de arroz?
Pode. Ela é basicamente celulose, porém rica em oxalatos (o que não é bom). Serve para uma emergência como esta, mas é um alimento de baixíssima qualidade. Não use em outras épocas. Obrigatório o nitrogênio+enxofre explicado no boletim acima.

IMPORTANTE: em todos os casos citados, faça uma adaptação do rúmen, fornecendo quantidades pequenas no primeiro dia e aumentando até o 5° ou 7° dia.